Patrícia Castellani

Destilo meus versos pelas ruas, cantando em prosa o que me diz o amor. Deixando aos poucos o dia… Para que a lua me faça acompanhar.

Estamos todos Sozinhos

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“Acredito que estou no inferno, portanto estou nele” (Arthur Rimbaud)

É curioso quando sentimos saudades de coisas que de fato não vivemos. Atualmente estou assim. Sinto falta do tempo em que pessoas eram vistas como semelhantes.

Apesar da tecnologia e das redes sociais nos trazerem a sensação de que o mundo nos pertence, ao ler os jornais pela manhã ou ligar a TV nos damos conta do quanto estamos sós. É isso mesmo! Sozinhos. Confinados em nossas telas e teclados, observando a todos sem sentimentos próprios e nos tornando cada vez mais paranoicos entre senhas e apelidos.

O mundo tornou-se uma ameaça aos que se consideram acima de qualquer suspeita e as discussões virtuais surgem aos milhares todos os dias, sem que haja uma explicação real à sua existência. Não questionamos. Toda palavra é dissecada, todos os gestos analisados, toda opinião criticada com a ferocidade de uma matilha de lobos perseguindo sua presa. Vivemos fechados em nossas fortalezas com alarmes e cercas elétricas e julgamos. E como julgamos! Temos medo de sair, de confiar nosso número de telefone, de dizer ‘eu te amo’, pois temos sempre uma teoria de conspiração rondando nossas cabeças e nos fazendo pensar em que momento alguém usurpará de nós a nossa tão valiosa privacidade.

Quem são nossos amigos? Onde está a nossa fé no ser humano, que se tornou na verdade nosso pior inimigo?

Acredito que a vida é o que fazemos dela. Se nos perdemos no caminho, há de haver um retorno. Há de haver um motivo que seja bom o bastante para nos convencer de que podemos nos encontrar em algum lugar onde o caos não nos ameace tanto. Precisamos acreditar na beleza e na sinceridade, ao menos para que ainda haja emoção suficiente para nos deixar escapar do inferno em que imaginamos viver. É como disse Rimbaud: “Acredito que estou no inferno, portanto estou nele”.

Há de haver poesia em nossos olhos e desejo em nossos corações para nos permitir a simplicidade outra vez. Para nos permitir dizer o que realmente pensamos sem sermos cruéis. Para nos permitir dizer palavras amáveis aos que sequer conhecemos, mas sabemos nosso semelhante.

Ai, que saudade do tempo em que éramos ‘gente’, e isso era tudo que precisávamos ser.

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Autor: patriciacastellani

Destilo meus versos pelas ruas, cantando em prosa o que me diz o amor. Deixando aos poucos o dia… Para que a lua me faça acompanhar.

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