Patrícia Castellani

Destilo meus versos pelas ruas, cantando em prosa o que me diz o amor. Deixando aos poucos o dia… Para que a lua me faça acompanhar.


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Sete coisas que aprendi – Escriba Encapuzado

Em uma iniciativa conjunta entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Patrícia Castellani, poetisa, jornalista, fotógrafa profissional, compositora.

A arte de ser transparente

Literatura é arte. Mas, como toda arte, tem seu glamour e parece acontecer sem esforço. Não é bem assim. Escrever é o desafio constante de aprender a expressar de forma simples e bela a nossa impressão do mundo. O esforço é parte do processo de ler, estudar, escutar, aprender, conviver com as palavras, reconhecê-las e traduzi-las. Escrever é ser transparente.

A arte deve ser vista através do autor, e não nele. O texto deve ganhar vida própria depois de sair de suas mãos, a ponto de não lhe pertencer mais com exclusividade. O autor deve desaparecer, à medida que seu texto começa a fazer um sentido maior para o leitor. Os personagens ganham vida e passam a existir no imaginário como se sempre estivessem lá, apenas esperando para se manifestar.

Um escritor é um inquieto. Há sempre muito “barulho” em sua cabeça e mil imagens no seu olhar, e é por esta razão que precisamos organizar e trabalhar, para produzir beleza em forma de livros.

  1.  Ler, ler, ler. Este talvez seja o ponto comum na opinião dos escritores. A leitura é absolutamente necessária para quem escreve em qualquer estilo e esta leitura deve ser a mais variada possível. Há quem defenda que se deve ler o que se pretende escrever. Discordo. Acho que se um poeta só lê poesia, ele corre o risco de se distanciar da palavra e dos temas em suas diversas aplicações, e acabar por se tornar meio que uma cópia dos autores que lê, por falta de convivência com o universo infinito das ideias que a literatura se encarrega de traduzir.
  2.  Não à procrastinação.

De vez em quando bate aquela preguiça de levantar no meio da noite para registrar aquela ideia? Vergonha de parar uma conversa para anotar o que pode vir a ser sua obra prima poética? Aprendi que as palavras são voluntariosas e estão conosco o tempo todo. Quando surgem com vontade de virar literatura, as palavras não esperam o depois ou o amanhã. Elas nos atormentam a mente e a alma, ou simplesmente vão embora. Melhor não arriscar e ter sempre à mão uma forma de guardá-las a tempo para que fiquem e floresçam.

  •  Nem todos gostarão dos meus escritos.Todo escritor é um pouco vaidoso. Nossos escritos são como filhos de mães corujas. Todos lindos aos nossos olhos. Mas cuidado escritor! Chega o momento em que alguém não gosta do que escrevemos e faz questão de nos fazer saber. A crítica por vezes é cruel. Antes de entrar em depressão achando que todo mundo te odeia, pense que escrita é uma forma de arte e que, muitas vezes, a arte está nos olhos de quem vê (ou lê). Cuide bem do conteúdo e da forma e alguém há de te amar.
  •  Escrever para o leitor.Às vezes parece que para ser um “bom escritor” é preciso ser tão erudito ou tão abstrato que os textos tornam-se ininteligíveis ao leitor comum. Na poesia isso acontece com frequência. O problema disso é que os que passam a admirar tais obras, comumente são os que desejam transmitir a mesma impressão de erudição, e pouco importa do que trate o texto, ou se pode produzir alguma emoção reconhecível aos “pobres mortais”. Em minha opinião, o texto é, sim, pensado e escrito para o leitor, seja ele quem for. Precisa ser composto de forma clara e organizada, para assim despertar conceitos, imagens, emoções reais, reconhecíveis no seu alvo.
  •  Dissociar minha vida particular da escrita.

 

Qual escritor nunca ouviu as perguntas: “para quem você escreveu isso?” “Você estava triste quando escreveu? Ou alegre?” Aprendi muito cedo que escrever é fruto de muita observação, experiências próprias e alheias, e mais um tanto de imaginação. Penso que quando colocamos uma dose excessiva de nossas vidas e emoções cotidianas em nossa produção literária, tudo fica meio previsível e autobiográfico demais. Aos cronistas, por exemplo, é permitido aproximar-se um pouco mais da realidade, mas mesmo assim, com o cuidado sensível de um observador neutro. Não há receita de bolo para a escrita. Mas bom senso e uma distância adequada podem produzir grandes emoções, sem termos que vivê-las todas pessoalmente.

  •  Nunca ser grande nem pequena demais.

 

Tem artista que é tão grande que se distancia do seu público. Há outros tão pequenos que não se sentem detentores do direito de criar. Qual é o espaço que devemos ocupar? Como poeta, digo que escolhi uma escrita meio marginal. Tem um poeta em cada esquina (sem entrar no mérito da qualidade) e a mídia se encarrega de prestar o desserviço de eleger os queridinhos da livraria, vendedores de best-sellers. Pensar se sou grande ou pequena demais para o mundo da literatura é perda de tempo. Basta ao poeta sua poesia que, em si, deve cumprir seu objetivo primordial, que é chegar à alma dos leitores como algo prazeroso. O tamanho do poeta se dá na proporção da sua paixão pela poesia.

  •  Encontrar no simples poesia.

    A poesia está na vida, no universo, nas palavras… Aprendi que para escrever é preciso saber encontrar a simplicidade de viver e olhar o mundo ao meu redor como algo belo que tem sempre algo a me dizer. O conceito puro de poesia é beleza, e a beleza está em tudo de uma forma muito particular. Não é preciso parar tudo, ir para um cenário apropriado e meditar profundamente para encontrar esta beleza. Basta olhar com o desejo de ver o que arte deseja reproduzir. Daí, a poesia.

 

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Liga de Autores Mineiros – Parceria Colaborativa

IV Bienal do Livro de Minas - Liga dos Autores Mineiros

IV Bienal do Livro de Minas – Liga de Autores Mineiros

Com Samuel Medina

A ideia de unir os autores independentes surgiu durante os eventos da Semana do escritor, promovidos pela Fundação Municipal de Cultura no fim de julho de 2014. Dia 25 de julho, foi realizado o primeiro Encontro de Jovens Autores e Blogueiros Literários, com a presença de Bernardo Sabino, filho do escritor Fernando Sabino. Vinte e quatro pessoas compareceram para ouvir e compartilhar experiências sobre literatura. 

Ao final do encontro, um dos participantes sugeriu fazer um estande conjunto para que todos pudessem divulgar suas obras e vender seus trabalhos na Bienal do Livro de Minas, que aconteceu em novembro. Desde então, o grupo se empenhou para concretizar essa meta. A ideia dos participantes é promover encontros regulares para compartilhar experiências e, aliado a isso, organizar encontros para divulgar o trabalho dos artistas agregados à Liga.

A primeira empreitada foi na Bienal do Livro de Minas, com a participação de  12 autores e a organização noites de autógrafos com cada um em uma programação distinta. As obras divulgadas foram:

Um Ano Bom – Editora Ases da Literatura – Ana Faria

Praia dos Anjos – Antônio Navarro de Andrade – Editora Scortecci

Um Amor, Um Café & Nova York – Editora D’Plácido – Augusto Alvarenga

As Crônicas de Adulão – Livro 1 – O Vale de Elah – Editora Multifoco, As Crônicas de Adulão – Livro 2 – O Bosque de Herete – Editora Modo, Os Semeadores de Contendas – Publicação Independente – Carla Montebeler

Birosca quer fugir de casa – Editora Alis, Calango tango: o calango que perdeu um pedaço do rabo (Lançamento) – Edna Barbosa Souza

A Conspiração Vermelha – Editora Dracaena, Faces de um Anjo – Editora Dracaena, O Último Pedido (Lançamento),  Guia de Emergências Clínicas e Traumáticas – Editora do autor – Hermes Marcondes Lourenço

De Olhos Fechados D’Plácido Editora, Um Amor em Barcelona – Editora Livre Expressão- Lavínia Rocha

Portais – Publicação independente, Recomeço – Editora Dracaena – Ledinilson Moreira

O Enigma da Espada – Editora Multifoco, Vestígios de um Crime – Editora Letras e Versos, JUCA: Um Pobre Trabalhador Brasileiro – Editora Virtual – Poliana Nogueira

Quem será o rei? – Editora Alfstudio, O Elefante Elegante – Editora Alfstudio – Sterlayni Duarte

O Medalhão e a Adaga – Editora Multifoco – Samuel Medina

O Ciclo da Morte – Livro 1 – Santuário da Morte. Publicação independente – Thaís Lopes.